Trombose: avaliação individual de risco e estratégias modernas de prevenção

Compreender quem tem risco aumentado para trombose exige mais do que identificar fatores isolados. A análise criteriosa do histórico clínico, da genética, do estilo de vida e de condições associadas é fundamental para uma prevenção segura e personalizada.

Melina Veiga Rodrigues

11/2/20254 min read

Ilustração médica de trombose mostrando coágulo sanguíneo em vaso, representando risco trombótico.
Ilustração médica de trombose mostrando coágulo sanguíneo em vaso, representando risco trombótico.

Introdução

A trombose é uma condição potencialmente grave, caracterizada pela formação de coágulos no interior dos vasos sanguíneos. Embora amplamente discutida, ainda é frequentemente tratada de forma simplificada, como se estivesse restrita a viagens longas ou imobilização prolongada. Na prática clínica, o risco trombótico é multifatorial e varia significativamente entre os indivíduos.

A presença de histórico familiar de trombose, uso de hormônios, gestação, cirurgias recentes ou doenças inflamatórias pode modificar substancialmente o risco individual. Além disso, condições hereditárias conhecidas como trombofilia podem predispor à formação de coágulos mesmo na ausência de fatores desencadeantes evidentes.

A avaliação hematológica especializada permite estratificar o risco, identificar situações que exigem monitoramento ou anticoagulação e orientar medidas preventivas individualizadas. A prevenção adequada não é padronizada; ela deve ser personalizada.

O que é trombose?

A trombose ocorre quando um coágulo (trombo) se forma dentro de uma veia ou artéria, podendo obstruir parcial ou totalmente o fluxo sanguíneo. As formas mais comuns são:

  • Trombose venosa profunda (TVP), geralmente nos membros inferiores

  • Embolia pulmonar, quando parte do trombo migra para os pulmões

  • Tromboses arteriais, associadas a eventos como infarto e AVC

O equilíbrio entre coagulação e anticoagulação é complexo. Alterações nesse sistema, sejam adquiridas ou hereditárias (como na trombofilia), podem predispor à formação inadequada de coágulos.

Importante destacar que nem toda trombose tem origem genética, mas a presença de histórico familiar de trombose aumenta a probabilidade de predisposição individual.

Principais causas

Causas mais frequentes

A maioria dos eventos trombóticos está associada a fatores adquiridos, como:

  • Imobilização prolongada

  • Cirurgias recentes

  • Traumas

  • Uso de anticoncepcionais hormonais ou terapia hormonal

  • Gravidez e puerpério

  • Obesidade

  • Câncer

Esses fatores podem atuar isoladamente ou em combinação, aumentando o risco trombótico.

Causas menos comuns

Entre as causas menos frequentes, destacam-se:

  • Trombofilias hereditárias (ex.: fator V de Leiden, mutação da protrombina)

  • Síndrome antifosfolípide

  • Doenças mieloproliferativas

  • Deficiências de proteína C, proteína S ou antitrombina

Nessas situações, o risco pode ser recorrente ou desproporcional ao fator desencadeante.

Quando suspeitar de condição mais complexa

Alguns cenários indicam necessidade de investigação aprofundada:

  • Trombose em idade jovem

  • Trombose recorrente

  • Trombose em locais incomuns (como veias mesentéricas ou cerebrais)

  • Histórico familiar de trombose precoce

  • Perdas gestacionais recorrentes

Nesses casos, a avaliação para trombofilia pode ser indicada, sempre de forma individualizada.

Sintomas que merecem atenção

Sintomas sugestivos de trombose venosa

  • Dor unilateral em perna

  • Inchaço assimétrico

  • Sensação de calor local

  • Endurecimento do trajeto venoso

Sinais de alerta para embolia pulmonar

  • Falta de ar súbita

  • Dor torácica ao respirar

  • Tosse com sangue

  • Taquicardia

A presença desses sintomas exige avaliação médica imediata.

Como é feita a investigação hematológica?

A investigação começa com avaliação clínica detalhada:

  • Histórico pessoal e familiar

  • Eventos trombóticos prévios

  • Uso de medicamentos hormonais

  • Condições associadas

O hemograma pode identificar alterações como policitemia ou trombocitose, que aumentam risco trombótico.

Exames complementares podem incluir:

  • Dosagem de D-dímero

  • Ultrassonografia Doppler venosa

  • Angiotomografia, quando indicado

  • Testes para trombofilia (fator V de Leiden, mutação da protrombina, proteínas C e S, antitrombina)

  • Pesquisa de anticorpos antifosfolípides

A decisão de investigar trombofilia não é automática. Ela depende do contexto clínico e do impacto potencial nos desfechos terapêuticos.

A avaliação especializada permite definir:

  • Quem realmente se beneficia de testes genéticos

  • Quando indicar anticoagulação prolongada

  • Quando apenas medidas comportamentais são suficientes

Essa abordagem personalizada diferencia o cuidado genérico da prática hematológica estruturada.

Tratamento – por que nem todos os casos são iguais?

O tratamento da trombose depende de múltiplos fatores:

  • Localização do evento

  • Gravidade

  • Fatores de risco associados

  • Presença ou não de trombofilia

  • Risco de sangramento

A anticoagulação é a base do tratamento na maioria dos casos, podendo ser realizada com anticoagulantes orais diretos ou heparinas, conforme indicação.

Entretanto, a duração do tratamento varia:

  • 3 a 6 meses em eventos provocados

  • Período prolongado ou indefinido em casos recorrentes ou de alto risco

Além da anticoagulação, medidas preventivas incluem:

  • Controle de peso

  • Suspensão de tabagismo

  • Atividade física regular

  • Adequação de terapia hormonal

  • Uso de meias de compressão em situações específicas

A prevenção personalizada considera genética, estilo de vida e contexto clínico.

Quando procurar um hematologista?

A avaliação por hematologista é recomendada quando:

  • Há trombose sem causa aparente

  • Existe histórico familiar de trombose

  • O evento ocorreu em idade jovem

  • Há recorrência

  • Há dúvidas sobre necessidade de anticoagulação prolongada

Para pacientes da região, a consulta com hematologista em Campinas permite avaliação estruturada, discussão detalhada do risco individual e planejamento preventivo personalizado.

Conclusão

A trombose não é uma condição uniforme. Seu risco depende da interação entre fatores genéticos, clínicos e comportamentais.

A avaliação individualizada é fundamental para identificar quem realmente necessita de investigação para trombofilia, quem se beneficia de anticoagulação prolongada e quais medidas preventivas são mais adequadas.

A medicina moderna prioriza prevenção personalizada e decisões fundamentadas em evidência científica.

Uma avaliação detalhada permite compreender o risco individual de trombose e definir estratégias seguras e personalizadas de prevenção.

Para agendar uma consulta com a Dra. Melina Veiga Rodrigues, acesse a página de contato.

Referências

  1. Kearon C et al. Antithrombotic Therapy for VTE Disease. CHEST. 2021.

  2. Ortel TL et al. ASH Guidelines for Management of Venous Thromboembolism. Blood Advances. 2020.

  3. Connors JM. Thrombophilia Testing and Venous Thrombosis. NEJM. 2017.

  4. European Society of Cardiology (ESC). Guidelines for Acute Pulmonary Embolism. 2019.

  5. ISTH Guidance on Thrombophilia Testing. Journal of Thrombosis and Haemostasis. 2022.